Quando preparo a mesa para um acompanhamento, sei algumas coisas:
sei quem vem e há quanto tempo trabalhamos juntas;
sei o que aconteceu no encontro anterior, quais as imagens ficaram mais fortes;
sei o que vou propor: separo materiais, às vezes levo contos, textos, vídeos ou imagens.
Mas tem um tanto (enorme) que não sei, porque cada encontro acontece no desdobramento do que eu ofereço e como a pessoa recebe, e desse caminho não sei nada. Cada vez é diferente.
Sempre que me perguntam como é o acompanhamento de processos criativos, acho difícil descrever os percursos porque eles são únicos. O que consigo falar é da estrutura que ofereço e do espaço que sustento para que eles aconteçam.
Vou, então, responder a algumas perguntas que costumo escutar:
Quem procura o acompanhamento?
Não tem um tipo único de pessoa que procura acompanhamento de processos criativos. Algumas pessoas chegam sabendo exatamente o que procuram. Outras, chegam com uma sensação difusa de que falta algo e que precisam de espaço. Algumas querem se desligar da afobação do cotidiano com uma atividade que traga um pouco mais de calma. Estão passando por transições, vivendo lutos, se sentindo sem voz, sentindo que “empacaram” em algum lugar.
Todas saem mais próximas de si mesmas.
E não precisa ter trabalhado com arte antes, nem saber desenhar ou bordar. O que importa é a vontade de experimentar.
Como é o primeiro encontro?
No primeiro encontro a gente conversa bastante. Eu pergunto do momento de vida da pessoa, da familiaridade com materiais de arte. Do que a pessoa gosta de ouvir, assistir, se gosta de livros, de cinema, de teatro. Pergunto se desenhou na infância, se tem algum hobbie manual.
Eu quero saber onde a vida pulsa nela.
E a pessoa quer saber como eu trabalho e o que esperar desse espaço. Em geral, começo oferecendo um material que seja familiar porque, nesse dia, não precisa haver desafio, é para ser um reencontro com o gesto criativo.
Como funcionam os encontros seguintes?
Nos encontros seguintes, trabalho com propostas.
É sempre um convite, nunca uma tarefa.
Eu sugiro caminhos a partir do que estou observando no processo de cada pessoa, mas seus desdobramentos são sempre abertos. As escolhas podem partir da vontade de quem está comigo ou de alguma imagem simbólica que vai ficando forte ao longo do processo. Como em uma dança, meus passos são sempre guiados por uma escuta cuidadosa.
Preciso trazer materiais?
Tenho vários materiais disponíveis no ateliê, não precisa trazer nada. (Mas pode, se quiser)
Qual a frequência e duração?
Os encontros são semanais ou quinzenais e duram uma hora e meia. A gente se encontra aqui no ateliê, no Itaim Bibi, ou online. O tempo de cada processo é único. Tem gente que vem há meses, tem gente que está começando agora, tem gente que fica um tempo e depois volta. Não tem duração padrão porque o ritmo é o de cada pessoa.
O que não é o acompanhamento?
Não é aula de bordado (embora muita gente aprenda a bordar).
Não é terapia só com conversa (embora a gente converse bastante).
Não é produzir obras (embora muita coisa bonita apareça).
É um caminho de estar mais consigo mesma, de ficar mais próxima do seu processo de criação: no ateliê e também na vida pra se expandir e aumentar as possibilidades de agir no mundo.
Semana passada escrevi no Instagram que isso é o que busco no ateliê: sustentar um ambiente seguro onde as pessoas possam experimentar sem medo de errar. Uma amiga sublinhou o “sem medo de errar” com um coração. Respondi que faço o possível para garantir que no trabalho com arte nem existe o erro, que errar é acertar. Não porque a gente seja especial, mas porque erro pressupõe resultado. E eu trabalho com processo.
Ficou curiosa (o)? Vem conversar!
Renata
PS: Se você ficou com vontade de começar um acompanhamento individual, tenho horários disponíveis. A gente pode marcar uma conversa de 15 minutos para tirar dúvidas e conhecer melhor como funciona. Me chama no WhatsApp 11 98337 0360 ou por email (renatamt@gmail.com).
PS2: Se você quer experimentar criar sem o compromisso de processo regular, existem outras formas participar: a Escuta Poética que é um encontro único, o grupo de bordado (quinzenal, na Fresta Ateliê Escola), o Ateliê Aberto (mensal, aos sábados pela manhã) e oficinas pontuais. Me escreve e te conto mais.


